Encontrei-o por um acaso - na verdade, este acaso constitui-se no fato de eu mesmo ter deixado ali, no bolso de um casaco.
Este pedacinho de papel em que estão anotados números de telefones.
e como pretendia exatamente me livrar desses papeisinhos nos quais costume anotar toda a sorte de informações, procedi à triagem a fim de certificar-me de que realmente julgava desnecessário arrastar em minha companhia aquele fragmento textual.
E lá, além da além da palavra argila, no verso, que algum dia eu escrevi para que me lembrasse de comprar, e que neste momento somente pôde me lembrar de que eu esqueci, e que talvez por isso, incidente universal, não me tornei um grande ceramista, lá estavam 14 números, correspondendo à 14 pessoas, às quais caso se queira contactar deve-se primeiramente dirigir-se a um aparelho telefônico, devidamente ligado, e, caso seja privado, uqe tenha su aconta paga pelo assinante, discar a sequência numérica de 7 dígitos correspondente, esperar o categórico sinal que está chamando e ao ouvir, do outro lado da linha: - Alô! responder, também com esta saudação e então pronunciar o nome referente, dizendo que deseja lhe falar e não esqueça de ser educado: porfavor, gostaria de falar com fulano de tal!
caso a resposta seja: - não há ninguém com este nome aqui, deve-se agradecer e em seguida desligar o telefone, necessariamente nesta ordem.
Enfim, julguei caso a caso aqueles números, e esta parecia-me ser esta a lógica dos acontecimentos que se sucederiam caso eu arriscasse,
na verdade não haveria riscos, pois haveria a salvaguarda que nos permite o telefone, ao obliterar o contato visual, de sempre sair da cena incômoda com o simples gesto de puxar o gancho ...
bem menos complicado que puxar o gatilho ... experimento de vocação suicida.
imaginei me então encontrando-me ocm cada uma daquelas pessoas.
e imaginei ainda que algumas, após interessante conversa, diram: me passa o seu telefone...
daí veio me a idéia.
Que empolgadamente eu diria os 7 números que tem me acompanhado por um longo período de tempo, e que depois falsmente diria á pessoa que me passesse o que a ela correspondi, para contatos telefônicos, a após despedirmo-nos, e a uam certa distância, ficaria feliz ao me certificar de que o número anotado fosse ainda o que estava no papel, o que me aliviaria da neurótica sensação de ...
enfim, tive a idéia de um conto ...
domingo, 1 de agosto de 2010
terça-feira, 13 de julho de 2010
domingo, 11 de julho de 2010
divagaciones [irrfahrt]
1. Um cartaz pelas ruas:
Menos morte nos jornais
e mais arte (mais vida) noticiada !
1.1. Ou serão os assassinatos as únicas obras cultuadas
(ou compreendidas) pelos jornalistas?
E quanto mais cruéis, mais valiosas e duráveis no mercado deles.
1.2. Se o cartaz fosse atendido,
talvez até mesmo os assassinos deixariam de matar,
já que não apareceriam mais na televisão.
Talvez eles virassem até artistas,
mesmo que fosse só pra aparecer.
1.3. Vice-versa, lembrei dos desenhos de Hitler.
Se a escola de belas artes alemã fosse mais compreensiva...

2. Depois de assistir ao filme indiano "Quem quer ser um milionário?",
fiquei feliz em descobrir que a Bollywood meteu a Hollywood
no bolso.
2.1. Como será o primeiro filme indiano 3D?

3. A década de 20 (para o século de cada um)
é aquela em que se costuma escolher um par.
[ou resignar-se à solidão (os escritores niestzcheanos a adoram...)]
3.1. Cada tentativa neste sentido, da escolha do par,
é todo um mar de carícias e confrontos.

4. Ler filosofia sempre me atiça. Sobretudo estas do século passado,
quando descobriram que a linguagem é um jogo.
4.1. Coube-lhes inventar modalidades:
o jogo da linguagem com ela mesma, para ver o que diz.
o jogo da linguagem desesperada, em fragmentos aporéticos e gritantes.
o jogo da linguagem inventando-se, para poder dizer.
4.2. Os filósofos tiveram então que abrir, de vez, a sua cidade
aos poetas. Aprender com eles invés de expulsá-los.
Menos morte nos jornais
e mais arte (mais vida) noticiada !
1.1. Ou serão os assassinatos as únicas obras cultuadas
(ou compreendidas) pelos jornalistas?
E quanto mais cruéis, mais valiosas e duráveis no mercado deles.
1.2. Se o cartaz fosse atendido,
talvez até mesmo os assassinos deixariam de matar,
já que não apareceriam mais na televisão.
Talvez eles virassem até artistas,
mesmo que fosse só pra aparecer.
1.3. Vice-versa, lembrei dos desenhos de Hitler.
Se a escola de belas artes alemã fosse mais compreensiva...
2. Depois de assistir ao filme indiano "Quem quer ser um milionário?",
fiquei feliz em descobrir que a Bollywood meteu a Hollywood
no bolso.
2.1. Como será o primeiro filme indiano 3D?
3. A década de 20 (para o século de cada um)
é aquela em que se costuma escolher um par.
[ou resignar-se à solidão (os escritores niestzcheanos a adoram...)]
3.1. Cada tentativa neste sentido, da escolha do par,
é todo um mar de carícias e confrontos.
4. Ler filosofia sempre me atiça. Sobretudo estas do século passado,
quando descobriram que a linguagem é um jogo.
4.1. Coube-lhes inventar modalidades:
o jogo da linguagem com ela mesma, para ver o que diz.
o jogo da linguagem desesperada, em fragmentos aporéticos e gritantes.
o jogo da linguagem inventando-se, para poder dizer.
4.2. Os filósofos tiveram então que abrir, de vez, a sua cidade
aos poetas. Aprender com eles invés de expulsá-los.
sexta-feira, 2 de julho de 2010
revide nº 1
pensando em revides, tanto para o "Luz, mais Luz!"
quanto para este "conto curtíssimo", lembrei de um texto
que rabisquei há pouco mais de cinco anos, e vou
republicá-lo aqui. depois voltarei para revidar de fato,
com palavras de agora, os dois textos, ou melhor, três,
porque contestarei também o meu próprio - pois
o problema que me vem agora é quanto à facilidade do silêncio, pois
o difícil talvez seja dizer mesmo algo /
compor.
& ... ou um veloz desejo de silêncio
Por Daniel Glaydson
A contemporaneidade é fragmentação, todo mundo sabe
O Silêncio é mais que isso, quer dizer, menos menos muito menos que isso. É algo assim que se eu soubesse o que era ; silenciaria
quanto para este "conto curtíssimo", lembrei de um texto
que rabisquei há pouco mais de cinco anos, e vou
republicá-lo aqui. depois voltarei para revidar de fato,
com palavras de agora, os dois textos, ou melhor, três,
porque contestarei também o meu próprio - pois
o problema que me vem agora é quanto à facilidade do silêncio, pois
o difícil talvez seja dizer mesmo algo /
compor.
& ... ou um veloz desejo de silêncio
Por Daniel Glaydson
A contemporaneidade é fragmentação, todo mundo sabe
Grosso modo, parece que desde a Antiguidade até hoje, a tendência incontrolável das coisas está em cada vez mais recortar o tempo. Fazia-se epopéias ; hoje um poema é uma palavra apenas. Fazia-se sinfonias ; hoje a música é a eterna repetição de um mesmíssimo minúsculo som. Demorava-se uma vida pintando uma capela ; hoje o objeto de arte já está pronto, basta modificar o olhar sobre ele. & etc, etc
Dizem que esse desapego às obras grandiosas está relacionado à percepção de que não há mais nada a ser dito. Será mesmo? Talvez seja muito mais a simples percepção do quão fragmentado tudo está. Mosaicado. O cotidiano, o não-cotidiano. Mosaicados. A cidade, enegrecida de asfaltos, assaltada de arranha-céus, é um berço que pare e aborta a fragmentação a cada milésimo de segundo, na velocidade sem vento de seus metrôs
Percepção então da fragmentação ou simplesmente de que nunca houve coisa alguma a ser dita. Fragmentação é igual a desespero ; desesperança
Desesperança que nos leva a pensar o presente ; presente que nos leva a pensar o hoje ; hoje que nos leva a pensar o instante ; instante que nos leva a pensar o homem – ponto de onde nunca devíamos ter saído. O instante nos traz a essência do homem, fragrância efêmera, porque afinal, escreveu poeta amigo enigmático, cada segundo é a eternidade doendo
...
A contemporaneidade é também intertextualidade, todo mundo sabe
Aqui sim, talvez haja uma grande influência do tudo já foi dito, ou não. E se for apenas uma vontade canibal (antropofágica?) de devorar o pouco que já se disse – e borbotá-lo de uma forma bem melhor ?
Esse bem melhor não sendo utopias de originalidade – nunca! Não temos nem utopias, muito menos de originalidade. Ser original é pretensão de modernos, de gente que acredita no futuro, no progresso do homem a partir da ciência, gente enfim que se dá com utopias
Tudo já deu errado muitas vezes. Tudo dá errado sempre. Então, conclusão óbvia: esquecemos o Tudo. Tudo é muita coisa. Contentamo-nos com pouco. Aliás, com cada vez menos. Buscamos o cada vez menos como único objetivo de vida. Por isso, ( bingô! ) : a fragmentação
Fragmentação que tenta recortar pedaços de papel que sequer são mais visíveis, de tanto já recortados & recortados & recortados & ...
O fim disso tudo é conseguir uma obra de arte que seja Silêncio
Não é um quadro em branco, um livro em branco, uma música em branco, enfim, pois seria apenas um quadro um livro uma música, em brancos – nada mais.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
terça-feira, 22 de junho de 2010
Luz, mais Luz!
Acabou a luz: Estamos na era da simultaneidade: estamos na era do perto e do longe, do lado a lado, do disperse. Estamos num momento em que nossa experiência do mundo é menos a de uma vida longa, que se desenvolve através do tempo, do que a de uma rede que liga pontos e faz intersecções com sua própria trama.
Um drama? Não, É trágico.
Hum grama? Sim, é lógico!
A sensibilidade crítica (crítica sensível) à espacialidade da vida social vê o mundo vital como algo criativamente localizado,
não apenas na construção histórica, mas na formação e reformação irrequietas das paisagens geográficas:
- O ser social está ativamente posicionado no espaço & no tempo.
Novas possibilidades estão sendo geradas, a parir, desse entrelaçamento criativo em uma dialética tríplice de espaço, tempo e ser social.
Busca-se virar pelo avesso a tapeçaria imponente, para expor em todo o seu osufnoc (confuso) emaranhamento, desprovido de qualquer glamour, os fios que compõem a próspera imagem que ela expõe ao mundo!
Quais são os limites de organização da linguagem (enquanto / sua relação) em seu objetivo de comunicar o sentido, ante a diversidade múltipla das formas de sentir pra si e um léxico compartilhado e transmitido através da linguagem? A comunicação se realiza, primeiramente, Entre nós e nós mesmos? Qual é a linguagem que comunica o “e eu morri”? ah, aquela aranha mora ali, no canto daquela parede, no alto daquela montanha! Os sentidos dados aos questionamentos atingem o dado a se interrogar? Atingem o interlocutor a ponto de interrogá-lo? Ou a imcompreensão tornou-se um modus operandi capaz de comunicar?
Que o verso seja qual uma chave/Que abra mil portas
E os olhos recriem tudo o que ouvem atentamente.
Inventem mundos novos/ independentes à palavra
Em pleno ciclo dos nervos/ como lembrança, nos museus
Vivem todas as coisas sob o sol/ em sua perfeita desarmonia
(distorcido de Huidobro – El Espejo da Água (1916))
Qual é a linguagem que usamos para nos comunicar com nós mesmos? É a forma como apreendemos o mundo sendo refletida por nós mesmos. É a capacidade de se julgar diante do “vir a ser” enquanto uma escolha de um “É, será”. Como compreender a novidade?
A experiência é anterior à consciência, ou são simutâneas?
Se só se vive algo uma vez, só se vive de uma determinada forma. Se vive a experiência, enquanto capacidade cognisciva; É essa a cosnciência e o sentimento de perda na transmutação dos sentidos em História.
O projeto do fim da subjetividade. Pupila de prismas saturada pelas imagens!
Qual a experiência sensível capaz de nos remeter a um processo histórico cujas descrições dos fatos cobriu-as de realidades objetivas tão intensas que sufocaram seu sentido íntimo.
Pensar-se consciente. Saber ser o que for compreender-se no agindo. Avante, o gerúndio do futuro existe. Eu estarei fazendo!
Um drama? Não, É trágico.
Hum grama? Sim, é lógico!
A sensibilidade crítica (crítica sensível) à espacialidade da vida social vê o mundo vital como algo criativamente localizado,
não apenas na construção histórica, mas na formação e reformação irrequietas das paisagens geográficas:
- O ser social está ativamente posicionado no espaço & no tempo.
Novas possibilidades estão sendo geradas, a parir, desse entrelaçamento criativo em uma dialética tríplice de espaço, tempo e ser social.
Busca-se virar pelo avesso a tapeçaria imponente, para expor em todo o seu osufnoc (confuso) emaranhamento, desprovido de qualquer glamour, os fios que compõem a próspera imagem que ela expõe ao mundo!
Quais são os limites de organização da linguagem (enquanto / sua relação) em seu objetivo de comunicar o sentido, ante a diversidade múltipla das formas de sentir pra si e um léxico compartilhado e transmitido através da linguagem? A comunicação se realiza, primeiramente, Entre nós e nós mesmos? Qual é a linguagem que comunica o “e eu morri”? ah, aquela aranha mora ali, no canto daquela parede, no alto daquela montanha! Os sentidos dados aos questionamentos atingem o dado a se interrogar? Atingem o interlocutor a ponto de interrogá-lo? Ou a imcompreensão tornou-se um modus operandi capaz de comunicar?
Que o verso seja qual uma chave/Que abra mil portas
E os olhos recriem tudo o que ouvem atentamente.
Inventem mundos novos/ independentes à palavra
Em pleno ciclo dos nervos/ como lembrança, nos museus
Vivem todas as coisas sob o sol/ em sua perfeita desarmonia
(distorcido de Huidobro – El Espejo da Água (1916))
Qual é a linguagem que usamos para nos comunicar com nós mesmos? É a forma como apreendemos o mundo sendo refletida por nós mesmos. É a capacidade de se julgar diante do “vir a ser” enquanto uma escolha de um “É, será”. Como compreender a novidade?
A experiência é anterior à consciência, ou são simutâneas?
Se só se vive algo uma vez, só se vive de uma determinada forma. Se vive a experiência, enquanto capacidade cognisciva; É essa a cosnciência e o sentimento de perda na transmutação dos sentidos em História.
O projeto do fim da subjetividade. Pupila de prismas saturada pelas imagens!
Qual a experiência sensível capaz de nos remeter a um processo histórico cujas descrições dos fatos cobriu-as de realidades objetivas tão intensas que sufocaram seu sentido íntimo.
Pensar-se consciente. Saber ser o que for compreender-se no agindo. Avante, o gerúndio do futuro existe. Eu estarei fazendo!
menino pássaro
- ele quer ser pássaro.
agarrou, a cada uma das mãos, uma pena. bateu suas minúsculas asas e voou.
viu nuvens, zepelins, acenou para pilotos de aviões. parou na nuvem mais branca, a que quando na terra, fazia desenhos de cavalos alados nela. e por horas brincou de fazer desenhos com as sombras das casas.
dormiu, acordou pássaro. e hoje, deve estar voando por fernando de noronha e brincando de fazer desenhos com as ondas do mar.
segunda-feira, 21 de junho de 2010
cito
Quantos véus necessitamos tirar da face do ser mais próximo – que nela foram postos pelas nossas reações casuais e por nossas posições fortuitas na vida –, que nos parecia familiar, para que possamos ver-lhe a feição verdadeira e integral. A luta do artista por uma imagem definida da personagem é, em um grau considerável, uma luta dele consigo mesmo.
escreveu mikhail bakhtin.
[...]
Em torres muito remotas, muito altas,
com seteiras fora do comum,
vejo as corujas piscarem. Vejo
perfeitamente bem tudo isso,
mas o que importa e o que não importa, não faço idéia.
Como poderia adivinhar,
se tudo o que vejo
é tão nítido, tão necessário
e tão impenetrável?
Sem suspeitar de nada, absorto em meus negócios,
como nos dela aquela cidade,
ou como aquelas outras cidades
perdidas na distância e ainda mais azuis,
confundindo-se com outras aparições,
outras nuvens, legiões e monstros,
eu sigo vivendo. Vou-me embora.
Tudo isso eu vi, só
não vi a faca cravada em minhas costas.
escreveu hans magnus enzensberger.
{...}
e jander alcântara escreveu também, algo que não quis revelar,
mas eu encontrei escondido na âncora daqui:
o poeta perguntava aos céus onde de fato estaria a poesia. olhou em volta e viu-se imerso naquela pergunta. olhou o em torno. viu-se em torno. (em)tornou, se, de si. era a própria poesia.
{...}
ps: uma música (um som) novo.
um dub q produzi a partir de um sampler do black uhuru,
e que entorna-se quase techno. mais algo para as noites de suicídio aos ouvidos.
chama-se dub dum dub (ou uma breve história da m. eletrônica)
escutar/baixar: http://www.lastfm.com.br/music/d.gr../d.gr../
escreveu mikhail bakhtin.
[...]
Em torres muito remotas, muito altas,
com seteiras fora do comum,
vejo as corujas piscarem. Vejo
perfeitamente bem tudo isso,
mas o que importa e o que não importa, não faço idéia.
Como poderia adivinhar,
se tudo o que vejo
é tão nítido, tão necessário
e tão impenetrável?
Sem suspeitar de nada, absorto em meus negócios,
como nos dela aquela cidade,
ou como aquelas outras cidades
perdidas na distância e ainda mais azuis,
confundindo-se com outras aparições,
outras nuvens, legiões e monstros,
eu sigo vivendo. Vou-me embora.
Tudo isso eu vi, só
não vi a faca cravada em minhas costas.
escreveu hans magnus enzensberger.
{...}
e jander alcântara escreveu também, algo que não quis revelar,
mas eu encontrei escondido na âncora daqui:
o poeta perguntava aos céus onde de fato estaria a poesia. olhou em volta e viu-se imerso naquela pergunta. olhou o em torno. viu-se em torno. (em)tornou, se, de si. era a própria poesia.
{...}
ps: uma música (um som) novo.
um dub q produzi a partir de um sampler do black uhuru,
e que entorna-se quase techno. mais algo para as noites de suicídio aos ouvidos.
chama-se dub dum dub (ou uma breve história da m. eletrônica)
escutar/baixar: http://www.lastfm.com.br/music/d.gr../d.gr../
sexta-feira, 18 de junho de 2010
sexta-feira, 11 de junho de 2010
quinta-feira, 10 de junho de 2010
do texto
na origem, o mundo foi inabarcável,
até que um número indefinido
de desregrados
fora embarcado
a fim de manter a liberdade serena dos que permanecem
e aceitam
con ter-se.
no convés, armas já munidas,
toneladas de carvão e papel
amontoadas como escravos.
tudo predisposição ao definhamento,
ao naufrágio,
ao autogenocídio,
à guilhotina surda,
ao excesso – mas o destino dos que afastamos
é
(um verso ausente e tudo).
ф, Ђ, ¤, Ŋ,
dentre outros velhos fetos crianças velhas ninfetas anjos
mulhereshomens
dispersos
outrora
e todavia agora
concentrados.
naquela noite escura
e clara,
todas as máquinas de moldar o que acontece
para aqueles que nunca estão onde acontece
e sentados se informam,
em posição:
os desregrados são transportados
direto de seus cárceres
recém-fundidos
para a nave.
temia-se uma rebelião, que não houve.
e nem os gritos, nem as injúrias ou as declarações indignadas
que as máquinas quiseram ter visto, para manipular, houveram.
o silêncio resiste a ser editado.
como derradeira declaração,
foi o susto sem fim
aos que não souberam
ir.
a notícia voltou-se contra si mesma,
e quando à nave empurravam da costa
o bafo quente daqueles que odeiam
e temem, à distância,
mais os ventos artificiais e próximos,
já os desregrados davam as costas,
contemplavam o mar e mesmo de terra usurpados,
eram felizes.
isentos da história
em que os quiseram instalar
como a um botão:
primeiros expulsos, origem deixando de ser;
eles dialogavam
entre si
Ђ é sabido que o mar vigora
mas sob obscuras
condições.
¤ entre tanto, eu já gostava das grades, do ferro.
Ђ morei em muitas casas que eram cárceres
ainda que eu tivesse, e trago, todas as chaves.
(aqui ele saca dos bolsos tantos chaveiros e cadeado
e senhas enferrujadas, que fazem pender
a embarcação)
e senhas enferrujadas, que fazem pender
a embarcação)
pensei que um dia eu fosse voltar
a cada uma delas e lá estariam pai, mãe e irmãos,
à idade da casa. assim eu teria infância e lembraria.
mas hoje sei que não há regresso
e me desfaço.
¤ suspeito que o mar pode ser
uma casa
muito grande.
ф se pôe nua
ou nu, divinamente
excitado ou excitada,
grita e canta a todos
ф distanciemo-nos destas roupas de presos!
lancemo-las à terra enquanto é tempo.
esqueçamos a serenidade!
somos totalmente outra coisa...
unida a leveza das roupas ao peso das chaves,
foi esta a última imagem que a máquina viu:
disparopedra ao que cerceia ou cobre ou trunca,
descobrimento muito mais
real ou
pleno.
e na nave fez-se a dança
acompanhando o bordejar
donde embarcamos.quarta-feira, 9 de junho de 2010
quinta-feira, 3 de junho de 2010
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